sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Outra menina



Uma menina de 8 anos da etnia Awá-Gwajá foi queimada viva por um grupo de homens madeireiros, em uma determinada região da mata... Vendo algumas das poucas repercussões sobre o caso, vejo ainda perplexa, uma citação, um argumento levantado.. Os Awá-Gwajás são um grupo bastante isolado, quase sem nenhum contato com outras etnias, eles são bastante fechados, vivem sempre dentro da mata fechada e são "brabos", então o argumento levantado foi de que, quem sabe o grupo de HOMENS (adultos) madeireiros não tivessem agido em legitima defesa... Legitima defesa...

Eu não sei o nome dessa menina, agora a pouco conversando com uma pessoa que trabalha no Xingú e tem contato com outros povos indígenas, de outros estados, confirmei o ocorrido... Não sabemos o nome dessa menina, não sabemos ao certo onde ela estava... Ela provavelmente ainda deveria correr para os braços da mãe todo dia, devia tomar banho de rio, deveria rir... Notei na imprensa somente algumas declarações pontuais pelo caso. Não vi correntes no facebook, ela não foi parar nos TTs do twitter, a policia mal começou a colher os depoimentos e a vontade de esclarecer o ocorrido é pouca... Entrar na mata? Identificar os madeireiros? Procurar interprete? É muito trabalho, para pouca coisa...

Se ela fosse um cachorrinho que foi queimado, provavelmente geraria mais comoção perante a sociedade, mas era só uma menina indefesa, pequena, e não era uma menina branca, era só uma menina indígena. Quem sentirá falta não é?

Como essa menina Awá-Gwajá, muitos outras meninas indígenas estão sendo mortas, sequestradas e muitos de nós insistimos em nos reservar, insistimos em não olhar, e não agir.


Se a vida de uma menina não é importe, não deve ser prioridade, eu não sei mais o que é então.. 


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