Uma menina de 8 anos da etnia Awá-Gwajá foi queimada viva
por um grupo de homens madeireiros, em uma determinada região da mata... Vendo
algumas das poucas repercussões sobre o caso, vejo ainda perplexa, uma citação,
um argumento levantado.. Os Awá-Gwajás são um grupo bastante isolado, quase sem
nenhum contato com outras etnias, eles são bastante fechados, vivem sempre
dentro da mata fechada e são "brabos", então o argumento levantado
foi de que, quem sabe o grupo de HOMENS (adultos) madeireiros não tivessem
agido em legitima defesa... Legitima defesa...
Eu não sei o nome dessa menina, agora a pouco conversando
com uma pessoa que trabalha no Xingú e tem contato com outros povos indígenas, de outros estados, confirmei o ocorrido... Não sabemos o nome dessa menina, não sabemos ao certo
onde ela estava... Ela provavelmente ainda deveria correr para os braços da mãe
todo dia, devia tomar banho de rio, deveria rir... Notei na imprensa somente
algumas declarações pontuais pelo caso. Não vi correntes no facebook, ela não
foi parar nos TTs do twitter, a policia mal começou a colher os depoimentos e a
vontade de esclarecer o ocorrido é pouca... Entrar na mata? Identificar os
madeireiros? Procurar interprete? É muito trabalho, para pouca coisa...
Se ela fosse um cachorrinho que foi queimado, provavelmente
geraria mais comoção perante a sociedade, mas era só uma menina indefesa,
pequena, e não era uma menina branca, era só uma menina indígena. Quem sentirá
falta não é?
Como essa menina Awá-Gwajá, muitos outras meninas indígenas
estão sendo mortas, sequestradas e muitos de nós insistimos em nos reservar, insistimos
em não olhar, e não agir.
Se a vida de uma menina não é importe, não deve ser prioridade, eu não sei mais o que é então..
Se a vida de uma menina não é importe, não deve ser prioridade, eu não sei mais o que é então..

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